O preceito não é, quando visto individualmente, um fundamento estrutural da Umbanda Sagrada. Ele é uma prática de preparação, fundamentada na Lei Divina, que busca oferecer ao médium melhores condições para participar conscientemente do trabalho espiritual.
Sempre que alguém recebe um preceito, a primeira pergunta costuma ser a mesma:
“O que eu não posso fazer?”
É uma pergunta natural. Afinal, quase sempre conhecemos o preceito pelas orientações que o acompanham:
- Evitar determinados alimentos;
- Não ter relações sexuais;
- Tomar banhos de ervas;
- Cuidar do pensamento;
- Acender velas;
- Não beber;
- E outras orientações.
Antes mesmo de compreendermos o que é o preceito, já estamos preocupados em decorar uma lista e talvez seja justamente aí que esteja o primeiro equívoco.
O preceito nunca começou pelas orientações. As orientações existem porque o preceito existe. E o preceito existe porque existe um trabalho espiritual.
Na Umbanda, nenhum trabalho começa quando o médium incorpora. A incorporação é apenas o momento mais visível de um trabalho que começou muito antes. Antes que uma corrente se reúna, antes que um Guia se manifeste e antes que o médium ocupe seu lugar, já existe uma organização espiritual sustentada pela Lei Divina. Nada acontece de forma improvisada. O trabalho nunca pertenceu ao médium. O trabalho pertence à Lei.
E isso acontece por uma razão maior. Nada é simplório ou inconsequente.
A Lei Divina não organiza apenas o trabalho espiritual. Ela organiza o crescimento daqueles que escolhem servir por meio dele. O preceito existe justamente porque a Lei não deseja apenas realizar uma gira. Ela deseja formar o médium que participa dela.
É por isso que o médium é convidado a colaborar conscientemente com um trabalho que já existe e existirá, com ou sem ele. É uma escolha que não equivale a alguns dias de regras.
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a forma de compreender o preceito.
Se o trabalho espiritual não nasce do médium, então o preceito também não existe para tornar o médium mais merecedor desse trabalho. O Guia não depende do preceito para trabalhar. Os Orixás não se aproximam porque alguém cumpriu corretamente uma lista de orientações. Uma força superior não precisa que alguém deixe de fazer determinadas coisas para permitir que a espiritualidade aconteça.
Talvez, uma questão se forme: Se a Espiritualidade não precisa do preceito para trabalhar, então é necessário compreender quem realmente precisa dele.
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